
- Quando o Conan se despistou em Carcavelos, na curva do sanatório, estava com este olhar, - foram estas as palavras de incentivo do Bigornas ao mesmo tempo que entregava os capacetes à equipa paço-arcoense número dois, uma vez que o Pilas já tinha arrancado com o Velhinho.
Se estava ou não alucinado quando desfez o carro da mãe, o Peidão não sabia, mas o relato do desastre feito pelo irmão do Zé do Fotógrafo era muito completo. O Conan tinha acabado de tirar a carta e queria impressionar as fêmeas lá para os lados do “Santini”. Como o seu “chaço” de certeza que causaria má impressão nas meninas queques de Cascais, inventou uma desculpa da falta de gasolina e de um exame da quarta classe imprevisto, e a mãe emprestou-lhe o carrinho que ainda estava em rodagem:
- Guia com cuidado, - avisou-o.
- Eu não sou burro! – Rugiu o Conan Vargas.
Encheu o carro de amigos e partiu a todo o gás. O Bólide ia com a língua de fora quando fizeram a curva, começaram a rodopiar e a bater em tudo o que era obstáculo. O Bigornas meteu as mãos na cabeça, segundo contou, e preparou-se para o mergulho no esgoto. Como é que iria safar-se no oceano se, como dizia o teórico Focas, “quando alguma vez cair numa parte funda só poderá pedir socorro com os pés, pois a cabeça funcionará como uma poita”. Não era por acaso que tinha o cognome de “Bigornas”. Tiveram sorte, Deus ainda não os queria lá em cima. O carro não foi cortado ao meio, porque bateram no poste junto ao motor, já depois da bagageira ter ficado desfeita quando atacara o muro do Sanatório.
Este pensamento varreu-se da cabeça do Peidão na altura em que o carro partiu, a fazer muito barulho, mas em passo de caracol. As fêmeas não estavam longe, encontravam-se distribuídas por toda a Marginal e o Conan queria sentir o cheiro de todas elas. Foi a sua consagração, já se via o agente secreto Óscar, à medida que o carro avançava com os faróis acesos, os pilotos de penicos na cabeça e o povo a aplaudir em êxtase uma das equipas do rali mais famoso do mundo. Mas nem Holliwood, nem Bolliwood, pois a única vez que Conan Vargas apareceu na televisão foi no anúncio ao “WC Pato”, em que se levantava da posição de cagador, abanava a mão junto ao nariz e era salvo por um perfume inebriante saído do autoclismo.




